Análise de poema barroco de Gregório de Matos

Muito se diz sobre a prova de Linguagens no Enem. Ouço professores dizendo que é, basicamente, uma prova de interpretação de textos e que nunca cai nada de gramática normativa.

Certo e errado ao mesmo tempo. Não consigo desvincular o estudo da interpretação de textos do conhecimento dos mecanismos linguísticos que fazem parte da construção do mesmo.

Por isso mesmo continuo afirmando para quem deseja estudar pra o Enem que devemos estudar fazendo exercícios, exercícios, e, se possível, mais exercícios.

É isso que proponho aqui hoje. Usei este exercício numa aula sobre o Gregório de Matos Guerra e foi bem legal porque consegui explorar a parte gramatical e também os elementos que produzem sentido nos versos.

Diferentemente do artigo sobre como usar a vírgula corretamente, desta vez nosso artigo é prático, totalmente prático.

Exercícios sobre poemas

 

Moraliza o poeta nos ocidentes do sol a inconstância dos bens do mundo

Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
depois da Luz se segue a noite escura,
em tristes sombras morre a formosura,
em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
na formosura não se dê constância,
e na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
e tem qualquer dos bens por natureza
a firmeza somente na inconstância.

MATOS, Gregório de, op. cit.

  • constância: continuidade, imutabilidade.
  • moralizar: fazer reflexões morais, discorrer sobre a moral.
  • transfigurar-se: converter-se, transformar-se.

1. Inconstância é falta de continuidade, é instabilidade. Esse é o tema do poema e, para marcá-lo claramente, o autor usou um importante recurso linguístico: a antítese. Destaque da primeira estrofe os pares de palavras OU expressões que Se Opõem.

 

2. Complete a frase.

A segunda estrofe apresenta uma sequência de perguntas que revela…

a) aceitação pacífica das mudanças que acontecem no mundo.
b) inconformismo do eu lírico com a efemeridade das coisas do mundo.
c) a preferência do poeta peia escuridão e pela tristeza.
d) a preparação para um esclarecimento religioso sobre esses fenômenos.

 

3. Marque apenas as alternativas que poderiam completar a frase abaixo:

As duas últimas estrofes reforçam a ideia da inconstância e da transitoriedade “dos bens do mundo” por meio de alguns recursos como…

a) repetição da palavra firmeza.
b) emprego de antíteses (“na alegria sinta-se a tristeza”, “a firmeza somente na inconstância”).
c) uso de expressões que negam a fixidez, a imutabilidade do mundo (“falte a firmeza”, “não se dê constância”, “firmeza somente na inconstância”).
d) emprego de inversões na ordem das orações.

 

4. No último verso do poema, finalmente o eu lírico apresenta a conciliação entre elementos opostos (firmeza e inconstância). Explique o sentido desse verso.

 

Gabarito dos exercícios

1.  Nasce/não dura, Luz/noite escura, tristes sombras/formosura (da Luz), contínuas tristezas/alegria.

2. B

3. B e C

4.  Tudo é transitório no mundo, exceto a transitoriedade. A única coisa certa, imutável (“a firmeza”), é o caráter transitório, passageiro, de tudo que há na natureza.

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