4 regras de ouro no uso da vírgula

Um dos problemas mais comuns nas redações do Enem é a ausência de pontuação. Infelizmente, alguns candidatos ainda carregam consigo a ideia de que a “vírgula é pra respirar” e usam-na dessa forma. Nem de longe essa ideia está certa e, em parte, é culpa dos professores que lá nas séries iniciais querem ensinar os alunos a ler e usam desses artifícios.

A verdade é que o emprego da vírgula, assim como o conhecimento das regras de uso da crase, está condicionado a razões de ordem sintática. Dessa forma, a presença ou não desse sinal de pontuação, além de ser fundamental para determinar a função sintática exercida por um termo, interferirá no sentido da frase. Veja:

O advogado do jornalista, João da Silva, requereu ontem ao Superior Tribunal de Justiça a revogação da prisão temporária de seu cliente.

Compare com:

O advogado do jornalista João da Silva requereu ontem ao Superior Tribunal de Justiça a revogação da prisão temporária de seu cliente.

No primeiro exemplo, a presença das vírgulas indica que João da Silva é o nome do advogado do jornalista. Nessa frase, o nome do jornalista não está expresso.

Já no segundo exemplo, a ausência das vírgulas indica que João da Silva é o nome do jornalista. Nessa frase, o nome do advogado é que não vem expresso.

Veja agora mais um exemplo:

Eleitor quer justificar seu voto.

Eleitor, quer justificar seu voto?

Ambas as frases são formadas por exatamente as mesmas palavras; no entanto, a pontuação de cada uma delas altera-lhes significativamente o sentido. No primeiro exemplo, temos uma frase afirmativa, marcada pelo ponto final, em que o termo eleitor funciona como sujeito. Já no segundo exemplo, temos uma interrogativa direta, marcada pelo ponto de interrogação, em que a vírgula, após o termo eleitor, indica que ele  á funciona como vocativo.

Finalmente, pense no título de uma canção de Chico César: Respeitem meus cabelos, brancos. Observe como a presença ou ausência da vírgula altera profundamente o sentido da frase, com a palavra brancos funcionando como vocativo ou como adjunto adnominal.

Como usar a vírgula no interior das orações

Em português, como já vimos, a ordem normal dos termos na frase é a seguinte:

sujeito + verbo + complementos do verbo (ou predicativo) + adjuntos adverbiais

Quando ocorre qualquer alteração na sequência lógica dos termos, a ordem é indireta.

Com afinco, muitos alunos estudaram a matéria da prova.

Neste instante, os estudantes estão felizes.

Os termos que se intercalam na ordem direta, quebrando a sequência natural da frase, devem vir isolados por vírgulas.

Assim, separam-se:

  • o aposto intercalado

 A Bahia, terra do som afro, é a morada do sol.

No exemplo acima, os termos “terra do som afro” funcionam como aposto.

  • as expressões de caráter explicativo ou corretivo.

A sua atitude, isto é, o seu comportamento na aula merece elogios.

No exemplo acima, “isto é” funciona como expressão explicativa.

Não haverá aula amanhã, ou melhor, depois de amanhã.

No exemplo anterior, “ou melhor” é uma expressão corretiva

  • as conjunções coordenativas intercaladas

A sua atitude, no entanto, causou sérios desentendimentos.

No exemplo anterior, temos uma , conjunção intercalada. O mesmo ocorre no próximo exemplo.

Havia, porém, um inconveniente sério.

Os últimos casos estão relacionados à palavras que se deslocam de seu lugar original na frase, normalmente vêm separados por vírgula. Por isso, separam-se:

  • os adjuntos adverbiais

“No século 2 a.C, Aristófanes de Bizâncio consolidou o alfabeto grego […]”

No exemplo acima temos um adjunto adverbial anteposto:

Os candidatos, naquele dia, receberam a imprensa.

”Naquele dia”, no exemplo anterior, é um adjunto adverbial intercalado.

Se o adjunto adverbial deslocado for representado por uma única palavra, não se usa a vírgula, uma vez que não há quebra na sequência lógica do enunciado. É o caso do advérbio “sempre” no período abaixo.

Os candidatos sempre receberam a imprensa.

Devo aprender todas as regras de uso da vírgula para fazer a prova do Enem. SIM e NÃO. Sim porque apenas os candidatos mais preparados conseguem discernir o uso correto e aproveitam as potencialidades expressivas dessa pontuação. Não, porque a maioria das situações de uso que mencionamos aqui neste artigo são conhecidas por todos aqueles que são falantes da Língua Portuguesa  e têm uma gramática internalizada.

Você sentiu que ficou mais fácil?

Sim ou não? Deixe aí nos comentários suas impressões sobre este tutorial básico de uso da vírgula.

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Como sempre digo, se a ignorância é um privilégio em alguns casos, diminuir a ignorância do povo em relação ao uso da Língua Portuguesa é uma obrigação nossa.

Até mais!

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